Além da Imaginação Real

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terça-feira, 15 de março de 2016

Contos do Além: Não Pise Nas Sepulturas!


Em uma noite um grupo de jovens estavam voltando de uma festa ainda animados.Eles bebiam e riam alegremente,até que um deles, ao perceber que estavam chegando perto do cemitério da cidade, decidiu contar histórias de terror. As meninas do grupo foram as que estavam ficando mais assustadas com suas histórias.

- Estamos quase passando pelo cemitério, vocês sabiam que nunca devemos pisar em um túmulo após o sol se por? Se vocês fizerem isto o morto agarra suas pernas e as puxa para dentro da sepultura.

- Mentira. – disse uma delas. – Isto é só uma superstição antiga.

- Se você é tão corajosa, por que não nos mostra? Eu lhe dou R$ 50,00 reais se você pisar em alguma sepultura.

- Eu não tenho medo de sepulturas e nem dos mortos. Se você quiser faço isso agora.

O menino lhe estendeu uma faca e disse:

- Crave isto em um dos túmulos e então nos saberemos que você esteve lá.

Sem hesitar a garota tomou-lhe a faca e caminhou até a entrada do cemitério, sobre a surpresa dos olhos de seus amigos que duvidavam que ela tivesse esta coragem. A garota entrou no cemitério onde o silencio era total, sombras fantasmagóricas eram formadas pela luz do luar e ela teve a impressão que centenas de olhos a observavam. Chegando ao centro do cemitério ela olhou em volta.

- Não há nada a temer – disse a si mesma tentando se acalmar.

Então ela escolheu um túmulo e pisou nele, depois cravou a faca no chão e virou-se para ir embora, mas algo a deteve. Tentou novamente , mas não conseguiu se mover, ficou apavorada!

- Alguém esta me segurando!!! – disse em voz alta e caiu no chão.

Como ela demorava a voltar o grupo de amigos decidiu ir atrás dela, caminharam um pouco e a encontraram sobre um túmulo. Ela estava morta com uma expressão de terror em seu rosto. Inadvertidamente a própria garota havia cravado com a faca sua saia no chão, com muito medo ela pensara que algo sobrenatural a segurava e sofreu um ataque cardíaco morrendo em seguida...


Pesquisa e Adaptação: Milena Zorek!

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segunda-feira, 7 de março de 2016

Notícias do Além: Chinesa morre de sede ao ficar presa um mês dentro de um elevador!


Uma mulher morreu de sede após ficar presa em um elevador por um mês na China. Segundo a imprensa local, funcionários da manutenção não ouviram pessoas dentro do elevador.
Os operários foram chamados para reparar um elevador com problema no começo de janeiro na cidade de Xi´an, no norte do país. Segundo a imprensa local, eles gritaram perguntando se havia alguém dentro e, ao não receber resposta, desligaram o equipamento e foram embora.
A equipe saiu de folga devido ao Ano Novo chinês e encontrou o corpo da mulher somente um mês depois dentro do elevador, que havia travado entre o 10º e o 11º andar. Além do cadáver, os operários encontraram as paredes repletas de arranhões feitos pela mulher desesperada.
De acordo com o governo, a morte foi causada por um grave erro da empresa de manutenção, que não checou corretamente se havia pessoas presas antes de cortar a energia do equipamento. A mulher tinha 43 anos e vivia sozinha no apartamento.
A polícia já fez diversas prisões e o caso está sendo julgado como homicídio involuntário. Acidentes de segurança são comuns na China devido à pouca fiscalização das empresas e o alto índice de corrupção entre as autoridades. 

Pesquisa e Adaptação: Milena Zorek!

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sexta-feira, 4 de março de 2016

Dicas do Além: A Bruxa!


O filme "A Bruxa" é situado na Nova Inglaterra, no ano de 1630, é narrado pela jovem Thomasin. Após a mudança de sua família para a nova casa, coisas estranhas começam a acontecer: animais tornam-se malévolos, a plantação morre e uma criança desaparece aparentemente possuída por um espírito maligno. Desconfiados e paranoicos, os membros da família acusam a adolescente de praticar feitiçaria.

Confira o trailer:



E para que você que se caga de medo, a dica é não vá sozinho ao cinema...

Pesquisa e Adaptação: Milena Zorek!


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terça-feira, 1 de março de 2016

Contos do Além: O Segredo Oculto!


Maria escancarou as portas do seu armário e sentou-se à beira da cama olhando o enorme volume de roupas que até mesmo poderia jogar fora. Em menos de um ano, já era a terceira vez que teria de se mudar.
Logo agora que estava se acostumando com a nova casa.
Seu pai trabalhava com plantas ornamentais e desejava há algum tempo encontrar um bom lugar para abrir uma floricultura e ter um espaço para plantar suas flores.
Não demorou até que seu pai encontrasse uma casa que atendia às suas necessidades.
E como era de costume, mais uma vez teria de se mudar. A mudança foi numa manhã de sábado.
Tivera tempo para arrumar todas as suas coisas e ainda descansar um pouco.
A casa ficava em zona rural, e os vizinhos mais próximos moravam a aproximadamente um quilômetro e meio.
O lugar era bonito e agradável para quem não gosta da agitação da cidade e prefere o sossego do campo, e o mais importante, havia espaço de sobra para se plantar.
Maria ajudou seu pai a descarregar o restante dos objetos e entrou para começar a arrumação.
Sua mãe já estava no interior da casa à sua espera.
Quando pisou na soleira da porta, jurou ter sentido um arrepio descer-lhe à espinha, e sentiu os cabelos da nuca se arrepiar também.
Bateu três vezes na madeira pensando neutralizar qualquer energia negativa.
Sua mãe estava feliz com a nova casa. Era espaçosa, arejada, os quartos eram amplos, a varanda era aconchegante.
Um lugar agradável. A construção era antiga, mas a velha casa permanecia de pé e não aparentava toda idade que tinha, pois há pouco havia sido reformada.
O dia foi longo para Maria. Trabalhou bastante até conseguir deixar tudo em ordem e a seu gosto.
Seu irmãozinho, Fernando, de apenas seis anos de idade, apenas brincou o dia todo em um banco de areia que havia no quintal.
A noite não demorou a chegar e logo a família se reuniu para jantar.
Maria sentia falta dos barulhos da noite na cidade. Tudo ali era tranqüilo demais.
Havia dois quartos na casa, uma sala, a cozinha e o banheiro.
Dormiria com seu irmão em um quarto, enquanto seus pais ficariam com o outro.
O fim de semana passou rápido. Na segunda-feira ela teve de ficar sozinha com seu irmão, pois seus pais tiveram de ir para a floricultura que era distante dali.
Procurou fazer todos os seus afazeres de manhã para que tivesse algum tempo para brincar com Fernando.
Sentia falta de ter pessoas para conversar, mas acreditava que aos poucos se acostumaria.
Era difícil passar o dia todo apenas na companhia de seu irmão. Seus pais sempre chegavam quando já estava escuro.
Com o passar dos dias sentiu que não gostava de ficar dentro de casa. Era fria e úmida, bem diferente de quando chegou.
Vivia constantemente usando blusas, mesmo quando o sol brilhava lá fora.
Apenas Fernando não sentia o mesmo, vivia arrastando seus carrinhos pelo chão usando apenas bermudas.
Sentia-se cada vez mais sozinha e até mesmo chegou a comentar isto com seus pais, que não se importaram muito, dizendo que tudo não passava de uma fase de transição.
Passou a achar que enlouquecia. Toda vez que se deitava para dormir, não conseguia pegar no sono.
Virava de um lado pro outro tentando achar a melhor posição.
Deixando o quarto sempre o mais escuro possível, e mesmo assim passou a ver imagens estampadas na parede.
Esfregava os olhos várias vezes, mas elas não desapareciam. Pensava ser coisa de uma mente alucinada.
Noites a fio passava observando as imagens na parede que às vezes formavam rostos e outras vezes eram apenas espirais que giravam insistentemente.
Não contou isso a ninguém para que não atestassem sua loucura.
Desejava não ter de dormir mais naquele quarto.
Tentou algumas vezes dormir na sala, o que não ajudou muito, pois coisas piores aconteciam ali.
Dormia no sofá e por vezes sentia alguém lhe puxar o cobertor com violência.
Levantava-se assustada e assim que colocava os pés no chão, mãos geladas agarravam seus calcanhares.
Tentava gritar, mas sua voz saía sempre como um gemido.
Quando conseguia correr até o quarto dos pais, sempre ouvia a mesma frase: “Está sonhando ou imaginando coisas!”.
Mas ela sabia que não era isso. Estava certa de que não era. Estava profundamente perturbada.
Para piorar sua situação, seus pais passaram a levar Fernando com eles para que fosse à escola e apenas o traziam de volta à noite.
O fato de estar definitivamente sozinha fez com que os fenômenos aumentassem.
Quando estava na sala ouvia ruídos vindos da cozinha. Encolhia as pernas sobre o sofá e tapava os ouvidos.
Não era suficiente para que não ouvisse as portas do armário se abrindo, os copos e pratos sendo quebrados, torneira sendo aberta. Era enlouquecedor. Quando era tomada de certa coragem, levantava-se e ia até a cozinha e para sua surpresa, sempre tudo permanecia intacto, em seus devidos lugares.
Aos poucos foi emagrecendo, seus olhos viviam com olheiras, em seu corpo apareciam marcas roxas, como se fosse espancada por alguém e, mesmo assim seus pais ainda achavam que ela apenas tinha uma mente fértil demais.
Cansada de vivenciar aquele tormento, decidiu abandonar tudo. Andou e andou até avistar a casa dos vizinhos mais próximos.
Estava exausta. O sol estava a pino. Decidiu bater palmas e pedir um pouco de água.
Uma mulher aparentemente simpática veio atender.
Maria a cumprimentou e disse-lhe onde morava. A mulher arqueou um pouco a sobrancelha.
Após conversarem um pouco do lado de fora, a mulher a convidou para entrar.

— Então você mora na casa velha? – perguntou a mulher enquanto servia-lhe água.

Maria apenas meneou a cabeça.

— E você está gostando de lá?

Silêncio entre as duas.

— Na realidade… Não!

A mulher sentou-se fixando o olhar sobre a jovem.

— Percebo que não está feliz. Talvez eu possa ajudá-la.

— Talvez não! – Maria suspirou.

— Não aparenta ser uma pessoa feliz. Existe algo que a preocupa? Não precisa ter medo de se abrir.

Maria não conteve as lágrimas. Ignorou a voz que no fundo a mandava voltar para casa e falou:

— Sim. Talvez tenha algo a dizer. Coisas ruins vêm acontecendo comigo. Apenas comigo.

— Não precisa me falar muita coisa. Poupe seu coração. Moro aqui há algum tempo e já ouvi muitas histórias.

Não precisa me contar. Posso imaginar! – disse a mulher, enquanto discretamente observava as marcas nos braços dela.

— Então a senhora acredita em mim? Naquela casa existe mesmo algo sobrenatural? O que sabe a respeito?

— Bem… Quando me disse onde morava, confesso que meu coração gelou.

Há muito tempo atrás, viveu naquela casa uma família.
Três filhos e sua mãe, já idosa. Eles viviam bem, mas um dos filhos enlouqueceu.
Via vultos, objetos que caíam no chão, coisas que se quebravam. Dizem que ele acabou contagiando os irmãos com sua loucura e por fim, os três acabaram por matar a própria mãe, e dizem que a enterraram sob o chão da cozinha.
Essa história chocou muita gente, pois eles ainda moraram durante um bom tempo na casa, sobre o túmulo da mãe.
A jovem sentiu medo. Aquela história era inacreditável. Não deveria ser verdade.
Tomou a água rapidamente e despediu-se da mulher, correndo de volta para casa.
Quando chegou, tudo estava como havia deixado. Entrou devagar pela porta que dava na cozinha.
Olhou ao redor e não viu nada de estranho. Lembrou-se de que a mulher havia dito que o túmulo da velha era na cozinha.
Puxou a mesa para um canto e abaixou-se para arrastar o tapete, não conseguiu, pois todos os armários começaram a se abrir novamente e os pratos e copos eram cuspidos de dentro deles com violência sobre ela.
As gavetas começaram a se abrir e fechar, e os talheres também voavam lá de dentro em sua direção.
Ela não se deixou impressionar, mesmo sentindo seu corpo paralisado pelo temor, não desistiu.
O tapete parecia estar preso ao chão, não se soltava.
Um vento forte vindo do lado de fora a jogou contra a parede, abrindo um corte em sua fronte.
Recordou-se de que sua mãe dizia que contra os poderes do mal, apenas a oração fazia algum efeito, resolveu iniciar uma série de orações que se lembrava. A princípio não surtiu efeito, mas devido a sua insistência, os fenômenos cessaram.
Desta forma pode finalmente arrastar o tapete e constatar que o piso da cozinha era irregular.
Havia uma parte que parecia ser nova, como se alguém o tivesse quebrado e o refeito.
Formava perfeitamente o desenho de uma sepultura.
Tomando-se de toda coragem que ainda lhe restava, procurou por alguma ferramenta que a ajudasse a quebrar o piso. Encontrou um pé-de-cabra, e com toda força que tinha, quebrou todo o piso.
Pegou uma pá e em seguida retirou a terra.
Não ficou surpresa ao encontrar a ossada humana.
Sentia-se paralisada pelo pavor, mas ainda conseguiu retirar os ossos e os levar para fora de casa.
Já escurecera e seus pais não demorariam a chegar.
Preparou uma pira improvisada e ateou fogo nos restos mortais que encontrara.
Quando seus pais finalmente chegaram, ela ainda estava no quintal, ajoelhada junto à fogueira.
Assustaram-se em vê-la naquela situação, com as roupas sujas e com terra nas unhas e cabelos.
A abraçaram perguntando o que havia acontecido.
Maria lhes contou tudo, desde o princípio e todos se chocaram com sua história.
Imediatamente resolveram arrumar as coisas e partir para longe dali. Arrependeram-se de não ter dado ouvidos à ela.Partiram para sempre, deixando para trás a velha casa e toda maldição que pairava sobre ela.

Pesquisa e Adaptação: Milena Zorek!


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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Curiosidades do Além: Conheça a história de Centralia, a Silent Hill do mundo real!


Você alguma vez imaginou se algo que viu em algum game pudesse ser real? Ou quem sabe possa ter sido baseado em fatos reais? Seria possível que um game nos conte uma história que por mais fantasiosa que fosse, pudesse ter uma parcela de verdade inserida? Pois então conheça agora a história Centralia,a Silent Hill do mundo real.
Certamente, quase todas as pessoas que gostam de games no mínimo conhecem o nome da série Silent Hill, uma série de terror sobre a cidade de mesmo nome, engolida pelas trevas e infestada por toda a sorte de monstros e demônios. E qualquer pessoa que conheça a série sabe que ela já foi adaptada ao cinema, naquela que é considerada por muita gente uma das melhores (ou seria menos piores?) adaptações de games para o cinema.
O filme Terror Em Silent Hill, adaptação do primeiro game da série, mostrou uma Silent Hill fiel da que é vista no game.A eterna névoa que envolve a cidade é resultado de um incêndio sem fim que ocorre no subsolo, por conta de antigas minas de carvão que entraram em combustão devido a um grave acidente.No entanto, essa pequena adaptação da cidade do cinema não foi mero capricho de produção. Pois a Silent Hill dos filmes, foi inspirada, além da lendária cidade do game, em uma cidade real dos Estados Unidos.

A cidade de Centralia, situada no distrito de Columbia no estado da Pennsylvania, possui uma história trágica, real, que ainda sobrevive nas ruas e casas abandonadas desta cidade que hoje legalmente não existe mais. Em 1841 uma pequena vila foi fundada por um homem chamado Johnathan Faust, que abriu uma pequena estalagem no local onde futuramente se estabeleceu a cidade.
Trinta anos depois, Alexander W. Rea, um engenheiro de mineração da Locust Mountain Coal and Iron Company se estabeleceu na pequena vila e foi de grande importância para seu desenvolvimento. Até o ano de 1865 a vila era conhecida como Centerville, quando no ano de 1866 a cidade foi oficialmente fundada sob o nome de Centralia.
A fonte de renda principal da cidade eram suas minas de carvão mineral, que traziam muita prosperidade a cidade em seus tempos antigos, tempos que, no entanto, infelizmente não eram muito pacíficos. Apesar de ser uma cidade relativamente pequena, ela estava muito longe de ser tranquila. A cidade sofria nas mãos da organização secreta chamada Molly Maguires, formada por mineradores de origem irlandesa, que realizavam inúmeros ataques criminosos, sequestros e assassinatos pelo estado da Pennsylvania.
A Cruz Ucraniana –  curiosamente, este é o simbolo predominante nos cemitérios de Centralia.

No ano de 1868, três membros da organização assassinaram o fundador da cidade, Alexander W. Rae, sendo condenados a enforcamento público, que por sua vez ocorreu na cidade de Bloomsburg anos depois. Além deste assassinato, muitos casos de assassinatos e incêndios criminosos eram registrados na pequena cidade.
Um desses incêndios resultou em uma das maiores tragédias da cidade, o grande incêndio de 1908. Não se sabe ao certo a causa do incêndio, se foi resultado de um acidente, ou de uma ação criminosa, mas sabe-se que ele destruiu muitas casas e armazéns, e que só pode ser apagado graças ao esforço de toda a população que ajudou de todas as formas a acabar com o fogo. Felizmente, não foram registradas mortes nessa tragédia.
Mas o incêndio de 1908 era pouco perto do que ainda estava por vir; a verdadeira ruína que se abateu na cidade e existe até os dias de hoje. No ano de 1962, a cidade foi engolida por um “inferno” de chamas inesgotáveis. Extensas pesquisas foram realizadas para apontar a causa exata do terrível evento que ocorreu neste ano.
No dia 27 de maio de 1962, a cidade contratou os serviços de cinco bombeiros voluntários para limparem um aterro perto do cemitério de Odd Fellows, como preparação para a comemoração do Memorial Day, um dia comemorado em muitas cidades americanas em honra às pessoas e soldados americanos mortos em guerras e combates. Os bombeiros atearam fogo nos entulhos espalhados pelo aterro para fazer a limpeza, como normalmente o trabalho é realizado.

Entretanto, o fogo não foi devidamente apagado, e por uma rachadura no solo, as chamas se alastraram para dentro da terra, atingindo as famosas minas de carvão de Centralia. O fogo começou a queimar o carvão e se alastrar em velocidade incrível por todo o subsolo, criando um incêndio que não poderia jamais ser apagado.
Uma tentativa de evitar que o fogo se espalhasse foi feita pelos bombeiros, que construíram algumas barreiras subterrâneas com argila, que consegue reter calor, mas foi uma tentativa em vão, visto que eles não deram conta de selar o lugar com a rapidez necessária,  e precisaram abandonar o local com os esforços incompletos para escaparem com vida.
Deste dia em diante, e nos anos seguintes, a cidade começou a sofrer cada vez mais graças aos efeitos do incêndio subterrâneo. Rachaduras gigantescas se abriam  por todos os lados, o solo começou a afundar em diversos pontos, a vegetação começou a adoecer e morrer rapidamente, casas e edifícios desabaram por conta do fogo, a temperatura do subsolo aumentou a um nível considerado de risco total (visto que além das minas de carvão, a cidade possuía tanques de combustível subterrâneos em postos de gasolina e indústrias), gás venenoso era expelido por rachaduras do solo, bueiros ou qualquer outro espaço por onde pudesse se esvair. E buracos enormes se abriam num piscar de olhos.
Esta terrível tragédia passou a se tornar mais conhecida e a se expandir pelo país. Inúmeros casos de doenças foram registrados por conta dos gases venenosos que tomaram a cidade, entre eles, monóxido de carbono e dióxido de carbono, além da diminuição do nível de oxigênio na atmosfera da cidade. E graças a um caso muito incomum, todas as atenções se voltaram para Centralia.

Aconteceu que, no ano de  1981, o garoto Todd Domboski, de 12 anos, por pouco não foi morto ao cair em um buraco de 46 metros de profundidade e 1,20 metro de largura que subitamente se abriu sob seus pés no quintal de sua casa. Todd escapou da morte graças a seu primo Eric Wolfang, de 14 anos, que o segurou antes que despencasse pelo enorme buraco.
Com o incidente, uma grande quantidade de gás foi expelido pela abertura no quintal de Todd; cientistas analisaram os gases e constataram que se trata de uma enorme quantidade de monóxido de carbono, em um nível altamente prejudicial à saúde.
No ano de 1984 o governo do estado da Pennsylvania tomou uma atitude drástica em relação a cidade. Durante todos os anos desde o início do incêndio, todas as tentativas de apagar as chamas falharam e o fogo espalhava-se cade vez mais. Foi então tomada a decisão de evacuar a cidade, que só foi possível utilizando-se a quantia de 42 milhões de dólares em todos os esforços. Mas apesar da decisão do governo, algumas famílias se recusavam a abandonar a cidade, mesmo sob avisos do governo e várias tentativas de removê-los da cidade.
Em 1992 o governador do estado na época, Bob Casey, declarou domínio iminente em todas as propriedades da cidade, condenando todos os seus edifícios e declarando que a cidade era um lugar de alto perigo. Os moradores que permaneceram na cidade contrariando as ordens do governo entraram na justiça contra essas decisões, mas todas as suas tentativas falharam.
Eis que, no ano de 2002, a companhia de correios dos Estados Unidos revogou o código postal da cidade (o CEP, ou Zip Code), que era 17927. Com isso a cidade não mais existia legalmente, e mais nada dessa data em diante endereçado à Centralia foi aceito. Anos mais tarde, o governador do estado do ano de 2009, Ed Rendell, iniciou os processos de despejo formal de todos que ainda permaneciam na cidade. E assim, Centralia tornou-se apenas um nome de uma cidade que já não mais existia.
Poucas casas sobreviveram ao tempo em Centralia, a grande maioria foi demolida pelas autoridades, outras desabaram por si só, algumas pelo solo afetado que acabou cedendo, outras, pelo fogo que queima no subterrâneo. E mesmo após a decisão de despejo total de 2009, acredite, ainda existem pessoas que vivem na cidade. Em seu auge, a cidade era lar de aproximadamente 3000 pessoas. No último censo realizado, no ano de 2010, a contagem de pessoas que ainda viviam em Centralia era de apenas 10 pessoas. 
Muitas das pessoas que viviam na cidade antigamente hoje participam de manifestações e brigas judiciais para que a cidade seja reaberta para a população. Eles alegam que o fogo que assola a cidade não existe mais, e que a qualidade do ar, considerada venenosa, não mais representa perigo.


Na verdade, olha só que bizarro: a grande maioria dos ex-moradores afirma que o incêndio jamais se espalhou pela mina de carvão, e que tudo não passa de um golpe do Governo da Pennsylvania para se apossar da mina e de todos os lucros que ela gera.
Essa teoria da conspiração tem base num artigo da legislação americana que diz que quando uma cidade não pode mais se manter como um município (em outras palavras, quando não possui mais habitantes), ela deixa de existir. Sendo assim, seus recursos naturais (neste caso, especificamente os direitos pela mina de carvão) deixam de pertencer à cidade e a seus habitantes e passa a se tornar propriedade de seu estado democrático, dessa forma torando-se posse do governo da Pennsylvania.
Mas apesar de todas as manifestações de seus antigos moradores, nenhum sucesso foi obtido até hoje. Centralia hoje não se parece mais com a próspera cidade que um dia foi, mas sim com um enorme cemitério cravado na terra. As casas que não foram demolidas permanecem erguidas em estado assustadoramente precário, e dentro de muitas delas ainda estão objetos abandonados pelas famílias que um dia as habitaram, destruídos, ou espalhados por todo lado.


Curiosamente, alguns pontos específicos da cidade ainda se mantém, estranhamente em quase perfeito estado: os cemitérios de Centralia. A cidade possui um total de 4 cemitérios em ótimo estado, inclusive com várias de suas lápides que podem ser consideradas como novas. Ocasionalmente, as fumaças tóxicas do enorme incêndio subterrâneo escapam através de espaços abertos e imperfeições do solo, ou mesmo em alguns túmulos. 
E, apesar da alegação dos ex-moradores, o fogo ainda queima nos subterrâneos da cidade até os dias de hoje. Pesquisas científicas já apontaram que o fogo se espalhou muito ao longo dos anos. A cidade de Byrnesville, ao sul de Centralia, foi alcançada pelo fogo no passado, e também foi abandonada. Outra cidade, Ashland, que fica próxima a Centralia também foi atingida pelo fogo, mas os danos causados foram poucos, quase insignificantes perto do “inferno” que se abateu sobre Centralia.
O fogo que destruiu Centralia está muito longe de apagar. Estima-se que o tempo para o incêndio nas minas subterrâneas se extinguir é de, no mínimo, 250 anos! Nenhuma das pessoas que um dia viveram em Centralia viverá o suficiente para ver esse dia chegar, mas para elas isso realmente pouco importa, pois seu desejo de retornar para a cidade abandonada, com fogo ou sem fogo, é imensa.


No ano de 2004, quando a adaptação do game Silent Hill começou a ser produzida, o escritor do filme, Roger Avary utilizou duas bases para tornar “real” a cidade infernal de Alessa Gillespie. A primeira base obviamente se tratava da Silent Hill original do game homônimo, uma pequena cidade do interior com poucas ruas e envolta em névoa e escuridão eternas.
A outra base se tratava da cidade fantasma de Centralia. Quando criança, Avary ouviu todo o tipo de histórias sobre a cidade, contadas por seu próprio pai (que era minerador), e tornou-se fascinado pela ideia de existir no mundo real uma cidade destruída por incêndio subterrâneo que ainda queimava!
Avary utilizou seu fascínio pela cidade na produção do filme, criando a Silent Hill que vimos nos cinemas: a névoa da cidade era formada pelas cinzas do incêndio subterrâneo que escapavam para a superfície, segundo as explicações evasivas dos personagens, que evitavam a todo custo atrair novas vítimas ao inferno que a cidade se tornou.

Centralia-Nevoeiro

Centralia…ou Silent Hill?

Mas não foi apenas Silent Hill que usou a cidade de Centralia como inspiração: outras obras anteriores de terror também utilizaram a cidade como base para seus cenários. A cidade era usada como modelo para cidades fantasmas fictícias de livros e alguns filmes. Centralia já foi até mesmo usada como base para uma manifestação física do próprio inferno, antes mesmo de Silent Hill.
Há quem diga que existem coisas que não são deste mundo habitando Centralia, e muitos têm medo das histórias que são contadas. Muitas pessoas visitam as ruínas da cidade todos os anos, há quem diga que não encontrou nada de anormal na cidade fora ela estar abandonada. Muitas pessoas registraram a cidade em fotos e vídeos, mostrando a destruição que se abateu sobre ela, bem como comprovações de que as fumaças tóxicas que saem do solo realmente existem.
E há quem afirma ter visto coisas que não deveriam estar na cidade! Curiosamente, alguns desses relatos envolvem a densa névoa que envolvia o local. Pessoas que pareciam vestir roupa de mineradores que caminhavam pelas ruas e inexplicavelmente desapareciam, sons estranhos dentro das casas abandonadas, estranhas visões de seres incompreensíveis nos cemitérios, além de pessoas que chegaram a declarar terem sentido uma constante sensação de estarem sendo observadas.

Existem dois relatos famosos sobre possíveis casos sobrenaturais envolvendo a cidade. O primeiro é o de um grupo de três amigos que teve a ideia de passar por Centralia durante uma viagem que estava fazendo, pois ouviram falar que se o local era uma cidade fantasma.
Eles foram até a cidade e começaram a observar as tenebrosas ruas vazias, os poucos edifícios abandonados ainda restantes, as rachaduras gigantes nas estradas, os campos afundados por onde exalavam muitos gases tóxicos. Eles então chegaram até um dos cemitérios da cidade e decidiram explorá-lo. Havia muito vapor saindo do chão do cemitério, e os três amigos ficaram fascinados ao ver o fenômeno.
Eles estavam checando algumas das lápides do cemitério quando,dizem, que ouviram uma voz bizarra que parecia vir do fundo da terra. Eles ignoraram, acreditando que pudesse ser a voz de outra pessoa que estaria passando no local. Então eles ouviram a voz novamente, que dizia claramente: “deixem este lugar”.
Neste momento, o solo começou a expelir vapor com mais força, exalando um odor apodrecido, que talvez pudesse ser enxofre. Os três amigos assustados correram para o carro para fugir dali, e os três ouviram a voz novamente em seus ouvidos, que parecia um sussurro, e dizia “porque… porque você fez isso?”. Eles fugiram antes que pudessem descobrir o que era aquela voz.

O outro caso narra o relato de um casal que também teve a ideia de visitar Centralia, porém eles decidiram explorar o interior de uma casa abandonada da cidade. A casa de três andares ainda possuía alguns objetos do tempo em que era habitada, além de muita sujeira e entulhos. O casal então ouviu passos nos andares de cima da casa, sem se assustar, perguntaram se havia mais alguém ali e subiram até o segundo andar.
Eles ouviram os passos novamente, desta vez descendo a escada do último para o segundo andar, então eles resolveram esperar de frente aos degraus para ver quem estava ali. Porém, conta-se, não havia ninguém, o som de passos desceu de degrau em degrau, até dar de encontro com o casal que olhava apavorado a escada vazia. Ambos fugiram da casa sem conseguir ver nada, apenas ouvindo os passos fantasmagóricos por dentro da casa.

Mas Centralia não apenas sofreu com seu terrível incêndio subterrâneo, com seu abandono e com as histórias macabras que muitos contam. A cidade parece ter um “dom” de atrair a morte. No ano de 1948, o vôo 624 da United Airlines, que saiu de San Diego com destino ao aeroporto de LaGuardia em Nona York, caiu em uma área entre a cidade de Centralia e a cidade de Mt. Camel, na Pennsylvania. Toda a tripulação do avião: 4 membros da equipe e 39 passageiros, morreram violentamente em razão da queda.
Durante uma manobra comum de vôo, o piloto baixou a altitude do avião de 13000 pés para 11000 pés. Nesta manobra, a luz de emergência que indica incêndio no compartimento de carga se acendeu. O piloto e sua equipe imediatamente acionaram os extintores do avião neste compartimento, com medo que o incêndio fosse grave.
Os extintores se acionaram liberando grande quantidade de CO2 (dióxido de carbono) no compartimento. Por uma falha na estrutura do avião, o CO2 vazou pelos dutos de ventilação até atingir a cabine dos pilotos. O gás logo preencheu a cabine e os pilotos começaram a perder a consciência gradativamente, devido a ausência de oxigênio.
Por conta da perda de consciência dos pilotos, o avião despencou em uma descida rápida e violenta. As análises feitas posteriormente não puderam comprovar, mas especula-se que o CO2 possa ter atingido até mesmo os passageiros, deixando todos inconscientes antes e durante a queda.
Perto do solo, o avião colidiu com fios de alta tensão de uma estação elétrica próxima a Centralia e Mt. Carmel, explodindo no processo. Partes de metal e corpos das vítimas se espalharam por todos os lados, formando um cenário no mínimo perturbador.
Equipes de emergência chegaram ao local e analisaram a destruição, os corpos encontrados estavam em estado de mutilação. Alguns puderam ser identificados, entre eles, haviam nomes famosos do cenário artístico e empresarial dos Estados Unidos. Seus corpos foram resgatados e entregues às suas famílias para seus devidos funerais.
No entanto, parte dos corpos encontrados estavam em estado de impossível identificação, eles estavam carbonizados ou destroçados. Seus restos foram apanhados e todos foram enterrados nos cemitérios da cidade de Centralia, nos leitos de cada uma dessas vítimas, há apenas uma pedra com a inscrição “Não-identificado. 17 de Junho, 1948”
Diversas são as histórias e relatos, reais e outros não comprovados ou fictícios, que fazem com que a cidade se pareça ainda mais com a Silent Hill dos games, assustadora, tenebrosa, misteriosa, e ao mesmo tempo fascinante.
E por falar em aparências, compare agora o mapa real da cidade de Centralia com o mapa de Silent Hill do 1º game. Consegue notar alguma semelhança? 

Não é a toa que a cidade de Centralia foi utilizada como uma das bases para a excelente adaptação de Silent Hill aos cinemas. As semelhanças são muitas entre as duas cidades. O Google, com o seu Google Car, fez uma visita a lendária cidade de Centralia e mapeou suas duas avenidas principais, além de fotografar muitos pontos importantes e estranhos da cidade.
Durante a visita que o Google fez a cidade, ela estava envolta em chuvas e neblina. Coincidência? Acaso? Ou simplesmente uma grande ironia? 
No final das contas, a história de Centralia foi um terrível caso real de uma cidade condenada a destruição por um erro cometido por um pequeno grupo de pessoas. E vivendo uma tragédia que não tinha solução, ela foi abandonada por seu governo e por seu país, mas não por seus antigos moradores, que tentam incessantemente fazer vir a tona a “verdade” por trás da demolição e abandono da cidade, desejosos a voltarem para o lugar que um dia foi chamado de lar.
A história de Centralia no entanto não chegou ao seu capítulo final. Mesmo após sua destruição, e das várias derrotas dos ex-moradores da cidade em reconstruir a cidade, ainda há um mistério real que sobrevive. Perto do Memorial dos Veteranos da cidade, no ano de 1966 uma cápsula do tempo foi enterrada abaixo de uma pedra com uma inscrição bem específica, ela deve somente ser aberta no ano de 2016.
Como você deve saber, estas cápsulas são construídas para que a população de uma determinada época deixe algo – sejam informações, fotos, objetos, ou qualquer outro tipo de coisa – selados, para ser aberta somente em uma data específica num futuro relativamente distante.
É uma forma do passado poder “conversar” diretamente com o futuro. Espera-se que todos os antigos moradores de Centralia retornem para a cidade em 2016 para a abertura da capsula. Seu conteúdo é um mistério para todos.
Ainda tem dúvidas se a história de Centralia é ou não real? Toda a história e acontecimentos reunidos neste texto são reais. Mesmo os relatos de encontros sobrenaturais existem. Claro que sua veracidade pode ser contestada, mas seus registros são reais.
Então, quando você se aventurar pelo horror digital dos games da série Silent Hill lembre-se: no mundo real, existe uma cidade condenada pelo fogo, destruída pelo tempo, e lembrada por seu antigo povo. Esta cidade é Centralia, a Silent Hill do mundo real.


Pesquisa e Adaptação: Milena Zorek!

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Contos do Além : A Meia Noite!



Em uma cidade do interior de Minas Gerais, chamada Ibiá, conta-se um "causo", que segundo os moradores não é ficção, mas sim realidade. Na década de 60, uma enfermeira, filha de criação de um grande fazendeiro, iria se casar. Linda era a senhorita, cabelos negros e longos, pele morena, corpo de violão, rosto de anjo, lábios carnudos e sensuais. Seu noivo, um rapaz da cidade grande, segundo boatos, estaria mais interessado nas fazendas da família, do que na voluptuosa senhorita. Chegado o grande dia, tudo estava certo: Uma grande festa na fazenda, a capela já estava ornamentada e o padre se preparava tomando "alguns" cálices de vinho. os convidados chegavam aos poucos, e o comentário era que os noivos viajariam para a "Europa" em lua de mel. 
No grande momento, eis que entra na capela, a linda noiva, deslumbrando beleza e felicidade. Mas o noivo ao vê-la, corre e no meio da capela grita: - "Sinto Muito! Não a amo. E as fazendas do seu pai não são suficientes para comprar esse casamento." Em seguida o noivo foge e a pobre donzela, aos prantos, se tranca em seu quarto. 
Pela manhã, ao arrombarem a porta, deparam-se com uma cena horrorosa: A noiva, nua, só de véu e grinalda enforcara-se com lençóis. Estava pendurada no lustre do seu quarto. A data do casamento: 20 de Maio. Conta-se que até hoje, nesta mesma data, à meia noite, a linda noiva aparece, nua, cavalgando pelas ruelas da pequena Ibiá, dando gritos de horror e desespero!

Pesquisa e Adaptação: Milena Zorek



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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Contos do Além: A Viagem!


Havia algo estranho. Todos dentro do ônibus podiam sentir isso.
Eles haviam saído de Belém no final da noite, em direção a São Luiz.
A estrada era perigosa, todos sabiam disso. Havia perigo de acidentes, assaltos... mas não era tudo. Havia algo de sobrenatural e temeroso no ar. Como se algo estivesse para acontecer...
Uma criança começou a chorar. A mãe colocou a cabeça da menina no peito e afagou-lhe os cabelos, tentando confortá-la.
Lá na frente, perto do motorista, uma velhinha rezava, segurando um terço.
O motorista suava e, de quando em quando, levava a mão à cabeça, como se houvesse algo ali que o incomodasse.
Súbito apareceu algo no meio da estrada. Parecia um carro policial. Dois homens sinalizavam para que o ônibus parasse.
O motorista se lembrou que era comum os assaltantes se disfarçarem de policiais... isso quando não eram os próprios policiais que praticavam os assaltos.

- Não pare para eles! - gritou um homem, entre lágrimas. São ladrões!

- Vão matar todos nós. - choramingou uma mulher.

Apesar dos protestos, o motorista parou. Os dois homens entraram, armas na mão.

- Todos parados! - berrou um deles.

Havia algo de estranho nos dois... como se fizessem parte de outra realidade. Seus corpos pareciam intangíveis.

- São fantasmas, mamãe. São fantasmas! - gemeu a garotinha. Ele vieram para nos levar...

- Os homens devem se levantar e colocar as mãos para cima.- ordenou o policial.

Os homens, resignados, levantaram-se e deixaram-se revistar. Depois foi pedido que abrissem as sacolas. Os dois olharam tudo, depois saíram.

- Boa viagem! - disse um deles ao motorista, mas ele não respondeu.

Na verdade, o motorista nem mesmo pareceu prestar atenção neles. Ele simplesmente fechou a porta, sinalizou e saiu.
Os dois ficaram lá, parados no meio do mato, observando o veículo se afastar. Um deles encostou no carro e acendeu um cigarro.

- Sabe, eu não entendo porque temos de ficar aqui, no meio desta estrada esquecida por Deus revistando ônibus...

- Você não soube... do ônibus que foi assaltado?

- Não, eu estava de férias...

- Era um ônibus como este... - e apontou com o queixo o veículo que já sumia no horizonte.
Eles pararam no meio do caminho para pegar um passageiro. Era um assaltante. Ele tentou parar o carro, mas o motorista se negou. Foi morto com um tiro na cabeça. O ônibus bateu, então, em um caminhão. Todo mundo morreu.

- Sabe, agora que você falou, estou me lembrando de uma coisa estranha... o cabelo daquele motorista parecia manchado de sangue...

- Você... você anotou a placa? - gaguejou o policial.

- Claro. Está aqui. EOB-1326.

O outro ficou lívido.

- Era... era o ônibus do acidente!

Pesquisa e Adaptação: Milena Zorek

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